História

cane corso auxiliando

O cão é de origem antiga dos molossos italianos, um descendente direto dos “canis pugnax” romano, isto significa que a sua história provavelmente retrocede a mais de 2000 anos. A história desta raça coincide com a do povo italiano que viveu diversos momentos de glória e de tristeza. Por anos os Corsos correram risco de se tornarem extintos, mas graças aos seus amantes, o número de Cane Corso vem crescendo gradativamente. Ainda hoje existem discussões sobre a real origem do seu nome, alguns estudiosos afirmam que a palavra corso possui a sua origem na palavra grega Kortòs que indica o quintal, o recinto e da qual deriva a palavra Cohors que significa “protetor, guardião da fazenda”. Caso esta hipótese seja verdadeira, sua história nos levaria à Magna Grecia (região sul da Itália, sob o império grego) e a sugestiva origem oriental dos molossos. Segundo alguns outros estudiosos a origem de Corso seria a palavra Corsiero que significa “cavalo medieval”.guerra cane corso

O Corso acompanhou a história italiana. Segundo estudos já em 1137 os italianos já usavam esses cães em suas batalhas militares. Afirma-se que os seus ancestrais, os Molossos de Épiro, tenham vivido na época do Império Romano e da Idade Média. Como aquela época era muito complicada para os homens, a miséria e a pobreza reinavam sobre as pessoas. A sobrevivência e o sucesso da raça dependiam somente da habilidade de trabalhar na área rural do sul da Itália, pois criar e manter um cão tinha apenas interesses econômicos. Os Cane Corsos costumavam casar grande animais selvagens, como o javali e os ursos, eles tinham também o dever de proteger a agricultura, o rebanho, a casa e toda a família de seu dono. Já na natureza agressiva, o Cane Corso obtinha seus fins sem hesitação e com uma admirável força. Devido a essa característica, eles eram usados também em guerras e em rinhas nos Circos contra feras e gladiadores.

Com a modernização da agricultura e o surgimento das armas de fogo e, por conseguinte novas formas de caçar fizeram com que o uso tradicional dos Corsos suavizasse. Com o término da Segunda Guerra Mundial se observou uma grande queda na criação da raça. Nos anos de 1970 a raça estava em risco de extinção. Existiam apenas poucos exemplares e ela já não era mais encontrada nos círculos de competição e shows. Entretanto o quadro mudou graças a auxílio de um amante da raça pesquisador de tradições rurais italianas, Dr. Breber. Já em 1976 este italiano escreveu para a revista do Kennel Clube Italiano alertando a sociedade e os cinófilos do perigo da extinção da tradicional raça.

cane corso com seu dono

Após este apelo, outros amantes da raça se moveram e formaram a Società Amatori Cane Corso (S.A.C.C.) em 1983, a fim de propagar a raça diante o público mundial e os juízes de campeonatos. Tendo como interesse maior o temperamento do cão, os criadores formando um plantel italiano com diversas características físicas. Para englobar todos esses cães como Cane Corso “legítimo”, em 1987, foi criado o primeiro padrão oficial da raça, este foi publicado pelo Kennel Clube Italiano. Com o padrão tornou oficial todas as características físicas existentes na época. Anos depois foram compostas por muitas discussões entre os estudiosos da raça e o Clube, acredita-se que a S.A.C.C. tenha registrado muitos cães fora do padrão para que assim pudessem aumentar o número de exemplares da raça e se consagrarem os “salvadores” da raça. Segundo alguns historiadores o fato dificultou ainda mais a homogeneidade da raça. Pois vários entusiastas estrangeiros acabaram comprando exemplares italianos bastante divergentes entre si e os levaram para seus países, isto aumentou ainda mais número de Cane Corso heterogêneos. Um bom exemplo que pode-se apresentar é a do criador de Mastim Napolitano Mike Scottile, que levou para os Estados Unidos uma ninhada de 16 filhotes e adotou como padrão americano uma linha de porte maior que a italiana e com a mordedura em formato tesoura. Durante esta época na Itália, era permitida qualquer mordedura, mas a preferida era a ligeiramente prognata.

No ano de 1996 houve uma enorme mudança, pois a criação italiana alcançou uma homogeneidade desejada e a raça foi reconhecida internacionalmente pela Federation Cinelogique International (FCI). Para o padrão da FCI foi escolhido as características dos cães italianos, agora homogêneos, deixando de fora, as características dos cães americanos. Em 1999, o Kennel Clube Italiano destituiu a Società Amatori Cane Corso como o clube oficial da raça e por isto alguns entusiastas fundaram a Associação Italiana Cane Corso. Nos Estados Unidos, os Canes ainda não são reconhecidos pelo American Kennel Clube, mas seu clube oficial, o International Cane Corso Federation (ICCF) registram cães no padrão americano. Com essas duas distintas linhagens de padrão, este tão tradicional cão italiano poderá ser agora melhor controlado e livre do perigo da extinção.

Hoje o Cane Corso está vivendo uma segunda etapa, graças à capacidade de adaptação durante os séculos da história. É um ótimo guardião dos domínios, que vigia de perto a casa, aproximando-se raramente aos limites, evitando assim que mal-intencionados possam atacá-lo de fora. Por fim o Cane Corso é um cão que viveu e vive com o homem e para o homem.